Limite de Internet Fixa Vai Começar Em 2017

No ano passado, a comunidade conectada à internet foi surpreendida com o anúncio da limitação de dados na internet fixa, onde constava que quem ultrapassasse a franquia contratada, teria a velocidade da conexão reduzida ou cortada.

Depois da repercussão extremamente negativa entre os consumidores, e uma campanha massiva na internet que contou com a participação dos maiores influenciadores do meio através da #InternetJusta, a Anatel acabou voltando atrás.

Porém, o Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, anunciou que o limite de dados da banda larga fixa deve acontecer a partir do segundo semestre de 2017.  Ele afirma que a intenção é beneficiar o usuário, sempre procurando oferecer os melhores serviços.

A Anatel também afirmava no ano passado, que o limite seria benéfico, pois “[…]muitas vezes se faz o preço pela média do perfil de consumo. Isso significa que há aqueles que consomem acima da média e os que consomem abaixo da média. Ou seja, quem consome menos paga por quem consome mais”.

O limite de dados de  banda larga já está em vigor em países como Estados Unidos e Canadá Este é um dos argumentos para ajudar os provedores de internet a justificarem a mudança. Mas apenas parte das operadoras o fazem. A prática mais comum é não impor limite de dados.

Antes de se instaurar o limite, temos alguns pontos para considerar

O limite é justo?

Segundo a afirmação da Anatel dada o ano passado, o usuário que consome poucos dados de internet, acabaria pagando por quem consome mais. Porém, há de se questionar:

Suponhamos que o pacote contratado tenha sido de 130 Gb. Se o usuário consumiu apenas 10 Gb, ele continuará pagando pelo pacote completo, não pelo que usou apenas – o que desconstrói completamente o argumento de que o limite de internet é benéfico ou de que o “governo sempre estará do lado do consumidor”, como afirmou o Ministro.

Lembramos ainda que, no caso da internet fixa, muitas vezes os dados estão sendo consumidos por diversas pessoas ao mesmo tempo, o que aumentaria ainda mais a probabilidade do limite ser consumido antes do final de trinta dias corridos.

A conexão é de qualidade?

Em 2014 começou a valer a medida da Anatel que obriga os provedores de internet a entregarem no mínimo, 40% do pacote contratado. Ou seja, mesmo que o usuário consuma todos os dados da franquia contratada, ele paga por um serviço sem qualidade que nem sequer é 100% entregue para ele desde o começo. Seria prudente melhorar a conexão primeiro, para apenas depois impor algum limite.

 

Os preços e os pacotes são compatíveis com a renda e consumo dos usuários?

Considerando que o salário mínimo no Brasil é de R$937,00 mensais e o maior plano de internet que conseguimos encontrar foi de 300 Gb, custando mais de R$300,00 por mês – é evidente que os número são incompatíveis.

O Youtuber Felipe Castanhari deu um exemplo do que queremos dizer:

O maior provedor de internet no EUA (XFinity) oferece um pacote de 600 Gb, com velocidade de 250 mbs por $69,99, enquanto a Vivo aqui no Brasil oferece um pacote de 270 Gb, com velocidade de 200 mbs por R$ 279,90/mês, cerca de 29,8% de um salário mínimo.

Além disso, segundo pesquisa da Cisco Visual Networking Index feita em 2015, o consumo de dados/mês por usuário é de 15,8 Gb. Se há 4 pessoas vivendo em uma casa, consumindo isso, já foram 60 Gb. É bom lembrar que a pesquisa é de dois anos atrás e não considera as novas tecnologias que surgiram: serviços de streaming, games online, consumo de vídeos em hd em site como o Youtube, etc.

 

Tendência mundial só no limite

Um dos argumentos usados é de que outros países além dos citados no começo do texto também aderiram ao limite de dados. Porém, a diferença está na média de velocidade da internet nestes outros países, que é consideravelmente mais altae os limites de uso de dados, que são bem maiores.

E por fim, o bom senso

Sabemos que mudar é bom e seguir o exemplo de outros países é natural <3, mas vale à pena dedicar um tempo a melhorar os serviços oferecidos primeiro, ajustar tudo de acordo com a necessidade da população para, só então pensar em limitar o uso para que aí sim seja benéfico para os usuários 😉